As formigas de Baiana
Salve, Terra da Palmeira, de lagos rios e ribeiras! Aproveitando que Baiana viajou, falemos dela. Entonce senta aí que lá vem a história.
E o caso que veio se assuceder com a Baiana do Candeias, caso que por obra e graça da mãe natureza acontece com qualquer um. O fato é que Saionara, a baiana mais famosa de Buritis, apesar de fazer, mas não vender, acarajé e bobó de camarão (vatapá ela faz e vende, feijoada também), como ia dizendo, a Baiana se viu envolvida na vida de umas formigas da vida que passaram a frenquentar assiduamente, sob o manto da noite, as dependências onde se guardam coisas gostosas para o universo infantil. Isso depois do celular e refrigerante... e cachorro-quente... e sorvete... etc.
Todo dia, ao cair da noite, Baiana sentada em sua cadeira giratória que gira sob o olhar onipresente da moldura com o Soberano na parede, ouvia o comando das fileiras das formigas doceiras que não fazem doce mas gostam de doce ou qualquer xarope melado. A cornetinha soava (aqui abrimos um parêntese para uma explicação de suma importância: cornetinha se deriva de corneta, que se deriva de corno. Corno não tem nada a ver com o indivíduo vítima de adultério. Corno é chifre... bom, se falarmos em chifre logo... fecha parêntese) e lá vinha a ordem:
- Fileiras, sentido! Ordinárias marchem!
E baiana já sentia: "Lá vem as ordinárias." As formigas tinham trilha certa para alcançarem os pacotes das paçoquinhas, os embrulhos de caramelos e pirulitos, as pipoquinhas doces e caixas de bombons recheados com avelãs, castanhas de nozes e cajus... Poxa, que formiga resistiria essa ambrosia? Nem eu, apesar de não ser uma formiga. Cansada daquela fuleragem, baiana entrou em contato com um especialista em pintar quadros e fabricar facas.
- Homem, tu me fazes uma peixeira mais afiada que língua de fofoqueiro que eu quero acertar as contas com umas formigas insolentes que estão frequentando o depósito. Vou espetar uma por uma na ponta do punhal. Ninguém aguenta mais aquelas miúdas.
O homem que pinta quadros, faz bfacas, pesca, lixa, solda, cola e cia disse à Baiana que para matar aquelas formigas nada melhor de que um tal de Fim Combina. "Você dá uma espreizada numas meia dúzia de formiga e a desgraça está feita no formigueiro". A baiana quis mais detalhe do modo operacional do produto. " Tipo assim a formiga, sem saber, fica contaminada pelo veneno e, como não morre imediatamente, volta para o formigueiro para tomar banho e tirar aquela inhaca do spray. Aí as outras formigas que também não sabem do ocorrido, vão contaminando com ela ao se cumprimentarem com um toque de anteninha aqui, um beijinho cá, im aperto de mão acolá e de repente o formigueiro é um cemitério.
E foi assim que, animada pelos esclarecimentos de Sidney, Saionara levou um frasco da fragrância mortal. Dias depois, a baiana reclamou: "Seu veneno não funcionou aqui, não. O raio dessas formigas num se assossegam pra eu sapecar o veneno nelas. Nada fez com que eu as convecessem a serem borrifadas com veneno. Fiquei aqui metade da noite de traseiro pro ar tentando acertar umazinha que fosse... acho que elas estão até fazendo meme de mim lá nas redes sociais delas. E depois eu nem consegui spreizar esse negócio". E foi assim que as formigas doceiras de Baiana se livraram da morte
Agora Sid deve estar por aí gravando um tutorial para a baiana de como convencer formigas a serem envenenadas.

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