Indo além da teoria de Helton Vagno: o homem-que-não-saiu-da-barriga-da-mulher


Bom dia, boa tarde, boa noite, cidadãos de bens e de muitos bens. Na noite em que a Casa dos Onze foi a Casa do Encontro das Mulheres de todas as cores, flores e manequins, os homens que lá apareceram tiveram uma rica oportunidade de aprenderem mais sobre o mistério da vida e da evolução que nunca para. Uma vez que, ao longo da história, a evolução dos homens parece caminhar do serviço para o sofá, enquanto bebem cerveja barata, disputando ainda o controle remoto com os bacurizinhos para assistir, na televisão, o jogo do time no sábado-domingo-a-tarde, a evolução feminina tomou outro rumo. Saiu da cozinha e seus anexos e foi para a sala... da presidência, da diretoria, da supervisão, da gerência, da chefia.
          As mulheres continuam evoluindo, discutindo, se reunindo. Aquele pensamento vitoriano de uma reunião feminina em um belo jardim, em torno de uma singela mesa forrada com toalha branca, adornada com flores, um conjunto de chiques xícaras de porcelanas e um bule de chá com biscoitos ou torradas... já era. Assim meio que informalmente, elas se reúnem no salão de cabeleireiro-manicure-pedicure, no shopping, lojas, mercados, feiras, escolas, hospitais. Elas falam de economia, de política, dieta, segurança educação; falam de saúde, família, moda, receitas, religião e, é claro, daquela sirigaita regateira mais oferecida que liquidação de loja popular. Outras reuniões são bem formais, com convites, palestras e coffee break.
          Foi assim a reunião das mulheres de Buritis da última quarta-feira. Tinha lá uma banca com produtos de beleza, rebrilhando aos flashes, uma cheiro cheiroso de alma feminina, enquanto umas iam discursando suas palestras, tinha uma fila na qual outras mulheres iam aguardando a vez para sentar numa cadeira e chapiscar uns pozinhos e massinhas nas beiradas dos olhos, esparramar uns cremes no rosto e nos braços. Aí, quando parecia que o trabalho estava terminando, elas pegavam uns vidros de uma loção lá e dava aquela sprayada, depois pegava uns pinceis e iam riscando pra lá e pra cá no roso, e quando terminavam o serviço, saía outra pessoa da cadeira. Entre as fragrâncias perfumadas e os discursos, uma verdade quase-oculta foi destampada na fala do Moço do Chapelão.
          O segredo que esteve a tanto tempo patente, implorando para ser descoberto foi revelado na mente da cabeça do nosso vice-prefeito Helton Vagno, Helton com H, um dos pré-candidatos a deputado estadual. Ele disse: Todos nós passamos pela barriga de uma mulher. Os políticos também. - A verdade do quase-sem contraditório de que todo ser humano vivo ou morto já passou pela barriga de uma mulher foi estampada. Isso é uma verdade reveladora profunda, tão profunda que estou até agora embasbacado a refletir:
          - Nossa, eu passei pela barriga de uma mulher.
          Porém ela não é absoluta.
          Por isso entramos com um embargo do contraditório. Apesar de que hoje passamos por tantas barrigas. Barrigas de todos os tamanhos e formas. Grandes e pequenas, redondas, ovais, quadradas. Barrigas largas e estreitas, brancas, negras, pintadas e, na correria do dia a dia, não damos nem um: "Oi, barriga, como vai essa pança?" Depois, vai que cumprimentas a barriga errada, já que toda barriga tem dono. Seria barrigada daquela de virar umbigo pelo avesso. Mas o segredo misterioso do segredo é outro. Nem todo homem nasceu da barriga da mulher. Pronto, falei.
          Pensando aqui, Jesus Cristo também passou pela barriga de uma mulher. Bendita barriga que trouxe salvação a outro tanto de barrigas perdidas! Mas nem todo homem nasceu da barriga da mulher, isso a muitos e muitos anos atrás quando a roda ainda era quadrada... aliás temos uma mulher que também não nasceu da barriga da mulher, ela nasceu da costela do homem-que-não-saiu-da-barriga-da-mulher a muitos e muitos anos atrás quando ainda não tinha mulher. Logo, nem todo olho que viu a luz, só viu a luz porque saiu da barriga de uma mulher e se puxarmos o fio da vida vamos chegar à costela do homem-que-não-saiu-da-barriga-da-mulher. Esse homem nunca teve sogra. Não sei dizer se isso foi castigo ou bênção.  Mas quem terá coragem de contestar o dito bendito, pois com exceção de daquele Adão, somos todos filhos da mulher.  Por isso a mãe do Chris reclama para si o direito de tirar-lhe a vida, uma vez que foi ela quem lhe deu a vida. Meu Deus, as mulheres têm o dom da vida, luz.
          Esclarecido o mistério secreto, homens não ousais questionar aquelas que geram vida, alimentam e protegem barriguinhas que crescerão e continuarão o ciclo da vida e luz, porque somos todos barrigas. Outro fato que todo homem não pode esquecer é a premissa de que as mulheres estão sempre certas e quando elas não estão certas é porque estão mais certas do que certas, e contra isso não há medidas cautelares, embargos, embargos dos embargos, desembargos dos bagos, cautelar dos embargos dos desembargos dos aspargos das medidas cautelares e S.A.
       

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por onde anda o ex-Soberano do Alviverde?

EXPOBUR 2025: Fritz toca o berrante e declara Feijão Bill bi

Em pronunciamento, Tasso di Tassos não cita Caramelo